quinta-feira, 16 de maio de 2013

É uma pena que não se escrevam mais cartas, eu gosto de conhecer as letras das pessoas.
Dizem que a letra diz muito sobre a pessoa, existem pessoas especialistas em ler as letras dos outros. Eu não gosto que leia minhas coisas, que vejam minha letra. Talvez seja por isso que não se escrevam mais cartas.
Eu não gostam que saibam que eu escrevo algo num blog. Ter um blog é meio idiota, eu me sinto muito idiota. Eu sempre escrevo quando preciso me encontrar. Daí o motivo de eu ficar tanto tempo longe do meu blog, as vezes  eu não me perco. "eu não sei na verdade quem eu sou", merda de frase clichê da porra do Teatro Mágico. O ruim é que eu acabo por me sentir assim, logo, tenho vergonha de também ser clichê;
Eu nem sei o que se passa em minha mente direito, sinto que nem sei se penso. Acho que tudo em mim é fabricado para agradar aos outros. Não há coisa pior do que não se achar. E eu nunca me acho.Acho que nas vezes que eu penso que me encontrei eu só desisti de procurar. Tava lendo sobre Elena, me perguntando quem é Elena. Percebi que eu não posso saber quem é Elena se não imagino quem é a Jussara.
Eu não sei mais onde é minha casa, o que é meu, se vivo por mim... acho que nunca soube.
E eu queria conseguir escrever uma carta, ou quem sabe um livro, ou um conto, ou qualquer coisa que fosse genuinamente eu! Eu queria me tatuar, mas tudo que imagino é reflexo de outro alguém... de um certo alguém. Eu queria ter coragem de ligar para o meu pai. Tô sentindo falta do meu pai. Tô sentindo falta de mim...Eu nem sei o que eu quero . "só sei que nada sei"

sábado, 12 de maio de 2012

 Um dia eu conto tudo que me  aflige. Na verdade, eu grito.Ainda hei de vomitar todas aquelas minhas verdades que eu calo só pra manter o clima.
 Vou contar como fiquei magoada ao perceber que meu castelo não era perfeito, que na verdade, nem era um castelo.
  Vou deixar que saiba como me magoa a falta de zelo, de cuidado para com a minha pessoa. 
 Eu ainda vou declamar a minha lista de mágoas... ela é curta, mas tem itens que atormentam diariamente.
 Claro, que isso vai ser um dia, qualquer dia, mas não vai ser hoje.
  Um dia vai me ouvir. vai ouvir até o ultimo "você lembra quando..."
  Um dia eu conto os sonhos que poderiam ter sido realizados, mas passaram despercebidos.
Aí, nesse dia, vai entender que eu odeio tal música porque durante várias noites eu sonhei em receber a tal música, enquanto era pra outra que a musica era ofertada.
 Vai perceber o quanto eu amo palavras, e que eu me apaixonei por suas palavras, que eu queria ser todas as palavras, e choro escondida por não ter nenhuma de suas palavras.
 Vai chegar o dia em que eu não vou aguentar, vou chorar, vou falar, e não serei entendida. Vou passar por louca mais uma vez... eu sei que eu passo por louca. Talvez eu até seja louca. Vai que nesse dia eu descubro que sou louca...
 Talvez eu lembre de coisas que vivi antes, e dispense em sua cara coisa de quando não existíamos como nós.
 Acho até que eu vou confessar como eu ouço a tal música só pra me torturar, pra lembrar da mágoa e manter meus pés no chão, não sonhar de novo.
  Talvez ria de mim. Talvez não queira me escutar.
 Ou quem sabe até se compadeça da minha doce loucura. Ou faça pouco caso.
 E eu vou odiar por isso, e amar mais por isso.
 Quando eu falar tudo, vai perceber que eu poderia ser outra, se não fosse tanta mágoa me moldando.
 Mas também pode pensar que essa é melhor do que a outra poderia vir a ser... 
Ou , como é mais provável de acontecer, eu não fale nada. Mais um dia chega ao fim, eu agradeço por não ter falado nada e espero o dia seguinte pra tentar falar de novo.

segunda-feira, 23 de abril de 2012

Lembra de quando corria
de pés descalços atrás de pipas
Lembra de quando foste rainha
com coroa de flores e capa de cetim

Lembra das borboletas
que enfeitavam o teu cabelo
enquanto sonhava
 com o que haveria de lembrar no futuro...

Lembra da dança, da melodia
das notas que embalavam teus sonhos.
Lembra do abraço terno,
afagos e sopapos.

Ah, menina!
Lembra de ter sido menina
Lembra que sonhava com poesia
com flores e cores.

Lembra da tua corte,
dos desenhos em nuvens,
dos dias de algodão doce
e da alegria do lar.

Dentre tantas lembranças
lembre da menina,
do sorriso, da alegria...
lembra de lembrar!!!

segunda-feira, 16 de abril de 2012

"Se a paixão fosse mesmo um bálsamo o mundo não pareceria tão equivocado"
Tal qual a frase batida da música tanto tocada, me sinto repetitiva.
Assim como os meus dedos da mão esquerda que teimam em formigar, tão angústia insiste em mim tomar. Eu queria o bálsamo dos beijos ternos.
Quão estúpido é tudo isso?
Quão recorrente é essa loucura?
Eu que sempre quis o amor na forma mais crua, me pego revirando as estranhas, numa dor que eu nem sei se existe. Parece que voltei a ser o que era, a triste figura agachada, se machucando lentamente, só pra tentar lembrar como é estar viva.
Estranho como eu não busco aquela que se encontra viva no êxtase, no gozo... mesmo sendo essa uma figura presente, quase a companheira diária.
Perco as contas de quantas vezes digitei a mesma tristeza tosca e despropositada.
E a cada linha completada, tenho a certeza de que não sei o propósito de nada.

terça-feira, 20 de março de 2012

Na noite quente, em cidade estranha... me pergunto se foram mesmo os meus pés que me trouxeram até aqui... As vezes que acho que vim atrás de um cheiro, perseguindo um sonho.
Há quem diga que eu vim atrás dele, mas, às vezes, parece que eu vim pra fugir de mim... ou quem sabe me encontrar.
A cada acordar me sinto um pouco mais nova, um pouco mais conhecida, um pouco mais eu.
Encontro aquela que eu nem sabia que conhecia, mas que sempre esteve por aqui...
Encontro com ele e me encontro nos braços dele.
A cada novo rosto, novo sorriso, tenho a certeza de que são os rostos que eu carrego na memória que me dão força para continuar. Longe de tudo sinto estreitar laços outrora frouxos, fracos.
Na casa nova eu descobri que não tenho casa, que todos são minha casa...
Me desmonto e monto de novo. Me despedaço, junto os cacos e descubro uma nova forma de quem não consegue mudar.
A pele antiga jaz ao lado das fotografias, cheiros, abraços. Não a deixo pra trás. Enrolo bem apertado e guardo no relicário. Sei que nunca vou me deixar pra trás.

segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

Minha mente é habitada por fantasmas, medos e alucinações. Ele ocupam muito espaço, chegando até a tomar o lugar de algumas recordações.
Meu peito está com um vazio imenso. Ninguém imagina, de verdade, o que estou sentindo.
Ninguém sabe do buraco que parece romper em meu peito na hora de dormir...
Não imaginam como dói a indiferença, as palavras hostis, a solidão.
Acordei de madrugada e pensei em ligar... mas dói não ser atendida.
Eu tô me sentindo um pouco Dorothy, no furacão, girando enquanto tudo é arrancado do chão... claro, que sem o Totó rodopiando. Minhas palavras soam como as de uma garotinha, isso faz com que eu me sinta estúpida. Mas quem, quando ao sentir que está perdendo seu amor, não fica fragilizado como criança?
Eu queria encontrar as palavras certas. Queria voar e pousar nos braços dele. Não quero que todo esse sentimento se perca.
E o que mais dói é saber que lá, do outro lado, tem alguém que sente o mesmo.Sei que ele também sente a minha falta, que também tá doendo nele...
Quanta dor seria poupada se estivéssemos perto. Porque com ele por perto, não há espaço pra dor. O sorriso dele me preenche. O abraço é o melhor do mundo... o gosto, ele tem um gosto diferente em cada pedaço do seu corpo... como eu amo aquela confusão de gostos!
Em seus braços eu me sinto em casa. Ele é a minha casa.
A ideia de perder faz com que eu me sinta desabrigada.

sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

Ela não sabia como chegou ali. Quando foi que tudo mudou? Quais os pés que a levaram até aquele estado de agonia. Todo os dias, ela repensa a sua vida ... nada faz sentido.
As vezes, ela pensa em como seria a sua vida sem ele. Na verdade, ela sempre pensa em como seria sua vida sem ele. Ela poderia ter escolhido outro caminho... Outro dia, num breve encontro de olhos, ela teve um vislumbre do que teria sido a sua vida. Teria sido feliz. O outro a amaria de forma intensa, sincera. Faria de tudo pra vê-la sorrir. Mas ela não o amaria assim. Teria reservas, cautela. E a equação seria perfeita.
Mas ela preferiu se entregar, tal qual alguém que mergulha de cabeça. Escolhera a intensidade do vício, da doença. O amor a deixava extasiada como nada mais conseguira. Sua paixão era doentia, causando-lhe dor...
Como seria mais fácil se escolhesse o outro caminho. Como seria mais fácil se escolhesse viver de ternura ao invés de desejo. Se escolhe a amizade no lugar da paixão.
Mas ela o escolheu. Não pensou duas vezes. Deixou que ele preenchesse todos os minutos de seu dia, que roubasse todos os seus sonhos. Permitiu que ele lhe causasse dor, dor que até então ela desconhecia... Nunca amara dessa maneira, nunca pensou se magoar assim.
Só ele era capaz de lhe causar tamanho estrago... Ele sequer sabe que a deixa em frangalhos... Nem imagina que todas as noites ela chora por não se sentir amada, por medo de perder. Não imagina como as palavras dele podem ferir. Ele a deixou frágil, vulnerável.
Talvez ele nem imagine que é tão amado. Ou talvez não se importe tanto.
Por alguns instantes ela acolheu o olhar do outro em seu olhar.Desejou deseja-lo. Foi em vão. Ela pertencia ao seu amor. Ninguém mais conseguiria .