sábado, 12 de maio de 2012

 Um dia eu conto tudo que me  aflige. Na verdade, eu grito.Ainda hei de vomitar todas aquelas minhas verdades que eu calo só pra manter o clima.
 Vou contar como fiquei magoada ao perceber que meu castelo não era perfeito, que na verdade, nem era um castelo.
  Vou deixar que saiba como me magoa a falta de zelo, de cuidado para com a minha pessoa. 
 Eu ainda vou declamar a minha lista de mágoas... ela é curta, mas tem itens que atormentam diariamente.
 Claro, que isso vai ser um dia, qualquer dia, mas não vai ser hoje.
  Um dia vai me ouvir. vai ouvir até o ultimo "você lembra quando..."
  Um dia eu conto os sonhos que poderiam ter sido realizados, mas passaram despercebidos.
Aí, nesse dia, vai entender que eu odeio tal música porque durante várias noites eu sonhei em receber a tal música, enquanto era pra outra que a musica era ofertada.
 Vai perceber o quanto eu amo palavras, e que eu me apaixonei por suas palavras, que eu queria ser todas as palavras, e choro escondida por não ter nenhuma de suas palavras.
 Vai chegar o dia em que eu não vou aguentar, vou chorar, vou falar, e não serei entendida. Vou passar por louca mais uma vez... eu sei que eu passo por louca. Talvez eu até seja louca. Vai que nesse dia eu descubro que sou louca...
 Talvez eu lembre de coisas que vivi antes, e dispense em sua cara coisa de quando não existíamos como nós.
 Acho até que eu vou confessar como eu ouço a tal música só pra me torturar, pra lembrar da mágoa e manter meus pés no chão, não sonhar de novo.
  Talvez ria de mim. Talvez não queira me escutar.
 Ou quem sabe até se compadeça da minha doce loucura. Ou faça pouco caso.
 E eu vou odiar por isso, e amar mais por isso.
 Quando eu falar tudo, vai perceber que eu poderia ser outra, se não fosse tanta mágoa me moldando.
 Mas também pode pensar que essa é melhor do que a outra poderia vir a ser... 
Ou , como é mais provável de acontecer, eu não fale nada. Mais um dia chega ao fim, eu agradeço por não ter falado nada e espero o dia seguinte pra tentar falar de novo.

segunda-feira, 23 de abril de 2012

Lembra de quando corria
de pés descalços atrás de pipas
Lembra de quando foste rainha
com coroa de flores e capa de cetim

Lembra das borboletas
que enfeitavam o teu cabelo
enquanto sonhava
 com o que haveria de lembrar no futuro...

Lembra da dança, da melodia
das notas que embalavam teus sonhos.
Lembra do abraço terno,
afagos e sopapos.

Ah, menina!
Lembra de ter sido menina
Lembra que sonhava com poesia
com flores e cores.

Lembra da tua corte,
dos desenhos em nuvens,
dos dias de algodão doce
e da alegria do lar.

Dentre tantas lembranças
lembre da menina,
do sorriso, da alegria...
lembra de lembrar!!!

segunda-feira, 16 de abril de 2012

"Se a paixão fosse mesmo um bálsamo o mundo não pareceria tão equivocado"
Tal qual a frase batida da música tanto tocada, me sinto repetitiva.
Assim como os meus dedos da mão esquerda que teimam em formigar, tão angústia insiste em mim tomar. Eu queria o bálsamo dos beijos ternos.
Quão estúpido é tudo isso?
Quão recorrente é essa loucura?
Eu que sempre quis o amor na forma mais crua, me pego revirando as estranhas, numa dor que eu nem sei se existe. Parece que voltei a ser o que era, a triste figura agachada, se machucando lentamente, só pra tentar lembrar como é estar viva.
Estranho como eu não busco aquela que se encontra viva no êxtase, no gozo... mesmo sendo essa uma figura presente, quase a companheira diária.
Perco as contas de quantas vezes digitei a mesma tristeza tosca e despropositada.
E a cada linha completada, tenho a certeza de que não sei o propósito de nada.

terça-feira, 20 de março de 2012

Na noite quente, em cidade estranha... me pergunto se foram mesmo os meus pés que me trouxeram até aqui... As vezes que acho que vim atrás de um cheiro, perseguindo um sonho.
Há quem diga que eu vim atrás dele, mas, às vezes, parece que eu vim pra fugir de mim... ou quem sabe me encontrar.
A cada acordar me sinto um pouco mais nova, um pouco mais conhecida, um pouco mais eu.
Encontro aquela que eu nem sabia que conhecia, mas que sempre esteve por aqui...
Encontro com ele e me encontro nos braços dele.
A cada novo rosto, novo sorriso, tenho a certeza de que são os rostos que eu carrego na memória que me dão força para continuar. Longe de tudo sinto estreitar laços outrora frouxos, fracos.
Na casa nova eu descobri que não tenho casa, que todos são minha casa...
Me desmonto e monto de novo. Me despedaço, junto os cacos e descubro uma nova forma de quem não consegue mudar.
A pele antiga jaz ao lado das fotografias, cheiros, abraços. Não a deixo pra trás. Enrolo bem apertado e guardo no relicário. Sei que nunca vou me deixar pra trás.