segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

Minha mente é habitada por fantasmas, medos e alucinações. Ele ocupam muito espaço, chegando até a tomar o lugar de algumas recordações.
Meu peito está com um vazio imenso. Ninguém imagina, de verdade, o que estou sentindo.
Ninguém sabe do buraco que parece romper em meu peito na hora de dormir...
Não imaginam como dói a indiferença, as palavras hostis, a solidão.
Acordei de madrugada e pensei em ligar... mas dói não ser atendida.
Eu tô me sentindo um pouco Dorothy, no furacão, girando enquanto tudo é arrancado do chão... claro, que sem o Totó rodopiando. Minhas palavras soam como as de uma garotinha, isso faz com que eu me sinta estúpida. Mas quem, quando ao sentir que está perdendo seu amor, não fica fragilizado como criança?
Eu queria encontrar as palavras certas. Queria voar e pousar nos braços dele. Não quero que todo esse sentimento se perca.
E o que mais dói é saber que lá, do outro lado, tem alguém que sente o mesmo.Sei que ele também sente a minha falta, que também tá doendo nele...
Quanta dor seria poupada se estivéssemos perto. Porque com ele por perto, não há espaço pra dor. O sorriso dele me preenche. O abraço é o melhor do mundo... o gosto, ele tem um gosto diferente em cada pedaço do seu corpo... como eu amo aquela confusão de gostos!
Em seus braços eu me sinto em casa. Ele é a minha casa.
A ideia de perder faz com que eu me sinta desabrigada.

sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

Ela não sabia como chegou ali. Quando foi que tudo mudou? Quais os pés que a levaram até aquele estado de agonia. Todo os dias, ela repensa a sua vida ... nada faz sentido.
As vezes, ela pensa em como seria a sua vida sem ele. Na verdade, ela sempre pensa em como seria sua vida sem ele. Ela poderia ter escolhido outro caminho... Outro dia, num breve encontro de olhos, ela teve um vislumbre do que teria sido a sua vida. Teria sido feliz. O outro a amaria de forma intensa, sincera. Faria de tudo pra vê-la sorrir. Mas ela não o amaria assim. Teria reservas, cautela. E a equação seria perfeita.
Mas ela preferiu se entregar, tal qual alguém que mergulha de cabeça. Escolhera a intensidade do vício, da doença. O amor a deixava extasiada como nada mais conseguira. Sua paixão era doentia, causando-lhe dor...
Como seria mais fácil se escolhesse o outro caminho. Como seria mais fácil se escolhesse viver de ternura ao invés de desejo. Se escolhe a amizade no lugar da paixão.
Mas ela o escolheu. Não pensou duas vezes. Deixou que ele preenchesse todos os minutos de seu dia, que roubasse todos os seus sonhos. Permitiu que ele lhe causasse dor, dor que até então ela desconhecia... Nunca amara dessa maneira, nunca pensou se magoar assim.
Só ele era capaz de lhe causar tamanho estrago... Ele sequer sabe que a deixa em frangalhos... Nem imagina que todas as noites ela chora por não se sentir amada, por medo de perder. Não imagina como as palavras dele podem ferir. Ele a deixou frágil, vulnerável.
Talvez ele nem imagine que é tão amado. Ou talvez não se importe tanto.
Por alguns instantes ela acolheu o olhar do outro em seu olhar.Desejou deseja-lo. Foi em vão. Ela pertencia ao seu amor. Ninguém mais conseguiria .

terça-feira, 29 de novembro de 2011

Quando criança, eu costuma tira a casca de todos os meus machucados. Minha mãe insistia que eu não fizesse, dizia que eu ficaria cheia de cicatrizes, mas eu fazia. Estranho, mas eu sempre tive uma relação diferente com a dor. Não que eu goste da dor. Mas, muitas vezes, eu a procurava. Acho que gostava da sensação de vida que só a dor pode causar. Afinal, a dor acaba quando se morre.
Com o passar do tempo, vi que nas minhas relações sempre havia dor. Uma dor nova, desconhecida." Se eu te amo, vc me causa dor". Assim foi com família, amigos, amores.
E de certa forma, comecei a fazer da dor parte da minha armadura. Na verdade, era mais como uma dessas medalhas de patente militar, me lembrando pelo que lutar...
Tem gente que diz que amor não deve ter dor. Mas, tudo que eu amor, me dói de alguma forma.Até mesmo nesse momento, quando destrincho meu interior, sinto uma dor lascinante .
Ninguém entende como eu faço coisas que me machucam tanto, conscientemente. "Cara, não pensa nisso, só te faz sofrer", me dizem. Mas como negar a sua natureza?
A dor me lembra de cuidar do que amo. Pois, posso perder. A dor me lembra de que estou viva posso me ferir ainda mais. A dor me traz prudência... A dor faz de mim quem eu sou... seja lá o que isso significa.

segunda-feira, 14 de novembro de 2011

Eu sonho com destinos, fotos, paisagens. Sonhos com risos , músicas e pessoas.
Peguei a minha mochila e tirei os sapatos.
Corro de encontro a mim...
Ignoro o nome das estrelas, quero descobrir minhas próprias constelações.
Dança pra Lua, choro por você, mas vivo pra vida!
Sou o barco que te convida a encarar essa correnteza.
Sou barulho, bagunça, confusão. Quem precisa de calmaria?
Mas sei ser paz... porque paz é sonho, e eu sou toda sonho.
Me visto de alegria, loucura, desejo.
Sim!! Eu dou a vida por um beijo!!
Te encontro todas as noites. Sou a febre que te arrebata e impede de dormir...
Não tenho rótulo, nome ou forma.
Subjetiva. Sou apenas por ser.
A mim, basta sentir
Se fosse ser algo, queria ser inspiração. Bastaria que eu fosse isso, algo que não pode ser, simplesmente por que nem algo é. E no fim das contas, perceberia que o algo nada mais é do que eu mesma.

sexta-feira, 7 de outubro de 2011

É tanto pra falar que eu me canso antes de começar. Melhor deixar pra depois, pra quando vc estiver com tempo. E eu nem sei se faz sentido tudo o que eu sinto, tudo que tenho ensaiado em frente ao espelho. Na verdade, nem sei o que eu penso.
As vezes acho que eu quero é perguntar em vez de falar. Perguntar tudo, até aqueles pensamentos que você nunca ousou dividir.
As vezes eu duvido de você. Não se ofenda. Não duvido do teu caráter. Mas duvido do que vc acha que sente... vc parece confuso, talvez vc só acha que sente o que deveria sentir.
A verdade é que eu sinto a tua falta. E quero que você sinta minha. Desculpa pela carência, mas eu preciso disso pra seguir tranquila.Preciso que você me queira. Preciso sentir que a tua falta é porque vc precisa estar ausente e não porque você quer estar.
Odeio essa coisa desforme e sombria que habita no meu quarto. Ela me perturba todas as noites, planta em mim a dor, o ciúme, a solidão. E eu sinto que essa coisa tem algo a ver com você. Ela aparece quando vc deixa o espaço vago... então a culpa é tua. E eu devo te odiar por me fazer conviver com essa coisa que eu odeio. Mas aí você me faz sorrir, e eu percebo que a coisa é infinitamente menor do que você. E que até essa coisa é um sinal de que você ainda está perto. Então , aceito a coisa...
Mais uma vez meu mundo tá de pernas pro ar. E eu tô sem ar. Ja te contei desse sintoma? Perco ar sempre que penso em vc longe... e isso tem sido mais constante. Por um acaso você está indo a algum lugar?
Tudo que escrevo é confuso, sem sentido e piegas. Ah! eu adoro achar tudo piegas. De certa forma, a pieguice me conforta. Só quem ama é píegas.

terça-feira, 4 de outubro de 2011

Permita que eu seja a inspiração nas tuas notas, já que é você o causador de meu sonhos.

Permita que eu lhe cause devaneios, risos e desejos.

Seja a mão amiga, o abraço acolhedor, o toque eletrizante.

E permita que minha voz tenha em ti o lugar perfeito para habitar.

Permita que lhe proporcione euforia, raiva, gozo... porque vindo de você, o tudo ainda é pouco

e quero muito mais.

Quero estar, ter , ser você.


terça-feira, 9 de agosto de 2011

Eu me atrevi a sonhar.
Sonhar com amigos, risos e viagens. Sonhei aprender a cantar, escrever um livro.
Dentre tantos sonhos, houve um que sempre me foi recorrente, que sempre martelou
na minha mente, alimentou-se da minha pieguice e em mim fez morada. Esse sonho era amar.
Amar em todos os sentidos da palavrar. Amar como nas canções, amor da forma mais ridícula , à la Fernando Pessoa. Esse sonho, no entanto, pareceu tão vago e distante, quanto os sonhos de ser rock star ou atriz de cinema... até que certo riso fez desse sonho real, consistente, palpável.
Tenho uma coleção de palavras, cujo o motivo eu desconheço, mas que me dispertam as mais variadas sensações: piegas, palpável, utópico, serendipity, tesão... palavras que eu pronuncio sem nenhum motivo, que repito sempre, só por gostar de me ouvir pronuncia-las. Ultimamente , a palavra da vez é o nome dele. É a única palavra que consegue definir o que acontece comigo, e não define nada. Pra ele a palavra é "indescritivel", pra mim , "realidade".

segunda-feira, 8 de agosto de 2011

A vida , as vezes, me cansa. A rotina me cansa. Tudo cansa.
Queria poder viver simplesmente, sem ter que buscar razão pra isso. Chega de tentar encontrar justificativas para todas as coisas. Pq tudo tem que ter um propósito.
Estudo para conseguir um trabalho. Trabalho pra ganhar dinheiro. Amo para ser amada. Transo para gozar. Nada é apenas por ser. Sempre se precisa chegar em algum lugar. Mas a questão é: eu não quero ir a lugar algum. Não quero dizer te amo esperando ouvir de volta.
Quero unicamente estar vivendo. Sem destino , sem foco.
Cansei de buscar sempre alguma coisa. Cansei até de buscar a mim. Cansei de buscar sua mão enquanto durmo. Quero simplesmente o agora, sem pensar no depois.
Talvez, sem querer, eu esbarre comigo , que eu perca por um atalho e acabe chegando lá.

terça-feira, 2 de agosto de 2011

Seria hiprocisia minha dizer que eu não desejava. Em cada beijo vazio eu buscava aquilo que eu não conhecia, mas que eu sabia que me faltava. Busquei, desesperadamente, já acreditando que seria em vão.
Eu esperava o beijo que preencheria o meu beijo. Que dispertasse em mim algo alem da luxúria.
Em meio a tanta gente vazia, a tanta coisa errada, suplicava pela pureza de algo real.
E eu encontrei. Na noite menos esperada, da pessoa mais improvável, a melodia desconhecida mas que me fez cantar.

sexta-feira, 10 de junho de 2011

Eu quis me perder por aí. Não faça essa cara de espanto. Você entende o que eu tô querendo dizer.
Eu quis rodar sem rumo, sentir o vento na cara, a saudade na mala. Queria esvaziar meu peito. Não me culpe por isso, não me julgue. Eu sempre amei você. Eu te amo todos os dias. Te amar se tornou uma necessidade, uma condição para a minha existência.
Mas há dias que esse amor me arranca a condição de princesa. Nesses dias você está tão distante, mas você está deitado ao meu lado.Tô sentindo o teu cheiro em mim, vc reconheceria o meu perfume??
Decidi cortar os cabelos. Queria te ferir, te fazer mal. Mas , qual foi mesmo o mal que você me fez?
Ah, claro, vc acordo longe mais uma vez. Tão longe que meu amor foi até você e não conseguiu chegar, e era tanto amor que agora tá me sufocando. E eu te falei que eu estava ficando sem ar, você me sorriu e fez respiração boca a boca. Quem te deu o direito de salvar minha vida? Você não merece salva-la, você tem que cuidar para que ela não precise ser salva.
Já te contei que escrevi outra carta pra você?
Você continua longe, mas te queria ao meu lado. Merda, vc tá sempre tão dentro de mim e eu sinto que sequer encosto em você.
Acho que vou mesmo me jogar por aí. Por que vc continua com essa cara? Você sabe que eu não vou longe sem você. O problema todo é estar longe de você.
Hoje eu acordei, tomei café , trabalhei, tudo isso pensando em você. Pensando se em algum momento você pensou em mim. Não, eu não duvido de você! Eu sei que você me ama.
Eu não tô falando de amor, tô falando de necessidade. Necessidades básicas. Eu necessito você, quero que vc tenha necessidade de mim. Me respire, me coma , me beba.
Vou rodar um pouco sem teu cheiro. Vou deixar teu cheiro em casa, junto com 2 cartas, uma flor e um rolha. Teu cheiro tá guardado com os meus tesouros. Do caminho eu te ligo, te conto pra onde estou indo. Ou espero que você me ligue. Tô ficando sem ar de novo, você continua longe, mas ainda tá deitado olhando pra mim.

domingo, 8 de maio de 2011

"quando o amor era medo"

Não sei o que porquê, mas as vezes eu surto.
Um misto de insegurança e lembranças desagradáveis me domina e faz com que todos os sentidos fiquem alertas, esperando o golpe que ira me derrubar.
Já caí e levantei algumas vezes. Sei que me recupero. O medo agora é outro. Não é de não levantar, simplesmente não quero cair outro vez. Não quero perder o que tenho. Não quero me decepcionar outra vez.
O problema de se viver um sonho é a certeza de que uma hora vc irá acordar.
Ontem vivi a sensação de despertador acordando no melhor do sono...
Vivi momentos de aflição e por um momento pensei que o melhor fosse acordar. Acabar de uma vez com a angústia, a aflição.
Mas aí, ouvi a voz dele. Mais grave que o normal. Mais firme que o normal. Me amando como sempre. E me senti a mais tola das pessoas.
Por que não seria verdade? Por que mais uma vez eu teria que cair?
Confesso que o medo não passou. No fundo, não sei se vai passar um dia. Mas eu o escondi em um lugar de difícil acesso, pra que até eu o esqueça.
Me agarrei a doces lembranças. Os gestos, o gosto e o cheiro.

quinta-feira, 5 de maio de 2011

Não onde , mas sinto que me perdi. E procuro por mim em cada espaço, cada vazio... não acho nada. E me pergunto, será que eu tava aqui? Aquela era eu?
Talvez eu não tenha me perdido, talvez só agora eu tenha me achado.
Eu sou aquela ali do espelho. Aquele reflexo que muitas vezes não agrada, mas eu sou aquilo ali.
Feita de sonhos, lágrimas e qualquer coisa.
As vezes eu bato um papo com o espelho, só pra ter certeza se ele me conhece. Chego a conclusão de que mal me conheço.
Analisando bem, eu sempre estive aqui, me moldando, cosendo quando necessário, colando cacos, decorando paredes. Eu não me perdi, só não aonde acaba.
Queria saber os limites da minha pele, saber se ela vai continuar a esticar enquanto eu trato de me conhecer. Mas eu nem conheço toda a minha pele... só sei que a felicidade mora na linha que vai da nuca ao cóccix.

sexta-feira, 29 de abril de 2011

" se for lembrar de mim eu vou pensar em ti..."

Que sentimento é esse, que tira o sono e rouba a paz?
Me deixa sem ar cada vez que lembro daquele sorriso. Arrepio que surge sempre que aquela voz surge ao telefone. Uma dor, um medo de não sei o quê. Ciúmes de uma passado longíquo.
Mas o passado é como estrela, pode ter morrido , mas ainda vemos seu brilho a anos-luz de distancia. Esse brilho me corta a alma. Essa insegurança que também é infudada, afinal, nunca me senti tão amada como agora. Nada se compara com as delícias que esse ser me proporciona. Sons , gostos e gestos. Nunca houve, nem nunca haverá algo igual.
A alegria de ser lembrada durante um porre, pois é nesse momento que surgem as verdades, e ter certeza de que a verdade atual sou eu.
Não há palavra que defina esse emaranhado de sentimentos. Quisera eu poder descrever o toque, o cheiro, o calor. Transpor pro papel o que habita o mais íntimo do meu ser. Que já não é tão íntimo assim já que está estampado nos olhos, sorriso e pele.
Como se eu tivesse descoberto a mim no momento em que ele me descobriu.

sábado, 23 de abril de 2011

"e o futuro chegou como pressentimento"

O começo de um novo momento. É assim que me sinto.Num quarto bagunçando, em meio a álcool e beijos, sinto que minha vida se renova. Novos sonhos, novos medos. A mesma razão de sempre : Ele. A razão de todo suspiro, sonho ou desejo. Porque é na mão dele que a minha pele acorda, com o beijo dele que meu corpo arrepia , no abraço dele que eu encontro a minha casa.
Como descrever algo que não sabemos , ao certo, o que é? Como explicar o desconhecido?
Pois é assim que me sinto quando estou em seus braços. É assim que sinto que será a vida daqui pra frente. O desconhecido , o incerto. Tudo diferente de qualquer coisa que eu já tenha vivido. Tudo tão único e especial. Enquanto tento escrever o que nem sei que penso, ele está ali, deitado , em paz, roubado de mim cada pensamento sem sequer imaginar que é o dono de todos eles.

quinta-feira, 14 de abril de 2011

20 minutos. Esse foi o tempo que eu fiquei observando enquanto ele dormia. 20 mimutos olhando a janelinha do msn, que exibia o rosto que eu tanto amo...Lembrei da música da Legião, fui tomada por uma paz imensa. Voltando pra casa , vi a lua, quarto crescente, e paz me invadiu de novo. Em breve a lua vai estar cheia, em breve aquele rosto vai estar travesseiro comigo. Ri sozinha, ri de mim mesma e da minha pieguice. Conversei com princesas, desejei em silêncio que elas tbm tenham essa paz. Descobri que me encontro nas pessoas que amo. Nas amigas que dividem lamúrias, sonhos e porres. Na família que me acolhe e atormenta. E nele. No beijo, o cheiro , no sorriso perfeito, na ausencia doída. A saudade me lembra que estou viva.

sexta-feira, 18 de março de 2011

a lua vai estar cheia e no mesmo lugar.

"isso é loucura! Cadê aquela menina centrada que eu criei? Desde quando vc é tão irresponsável?"
Foi assim que minha mãe me recebeu , após o trabalho, no dia em que contei que comprei as minhas passagens.
Não. Eu não tô saindo de casa para morar em outro país. Também não são as passagens par assistir o U2 na Argentina (embora o Grupon tenha me deixado tentada a comprar). Tampouco a minha tão sonhada passagem da minha eurotrip.
São só passagens de ida e volta pra cidade dele. Que não é dele, mas é onde ele está.
Confesso que não esperava essa reação dela. Reclamar já o natural dela. Ela reclama de tudo.
O que mexeu comigo foi a ferocidade com a qual ela despejava as palavras.
Há tempos que ela não tinha impacto sobre mim.
Pela primeira vez, em tempos, ela me fez ponderar meu atos. Refleti . E fui tomada por uma insegurança sem prescedentes. Medo de estar me empenhando em algo que não resistirá ao outono. Estar investido em uma relação que nunca passará de amor de verão.
Tantos pensamentos me sufocaram. Corri em busca de ar. Saí sem direção, não tinha a quem buscar naquele momento. Os únicos braços que me dariam conforto estavam londe demais.
Já fora de alcance. Pude chorar em paz. Chorei toda aminha saudade, toda a minha angústia, toda minha insegurança. Dediquei longos minutos pensando as maiores atrocidades que minha insegurança feminina exigia. Duvidei. Odei. Espraguejei pro mundo. Acalmei.
Pude, enfim, olhar a lua. E lembrei da última vez que a vi tão bela. Ele me dizia "1 mês lunar", mas eu ouvi " há um mês que te tenho".Lembrei de 2 meses atrás. Da noite perfeita. com a lua nos olhando pela janela.
Lembrei de olhos que me pediam pra ficar até de manhã. Do medo que dava espaço a intimidade. De um novo temor que nascia, a sensação, doída e gostosa, de não querer perder nada.
Lembrei de como todos os astros deixaram de ser apenas astros. De como tudo deixou de apenas ser e ganhou um novo sentido.
Já estava chorando outra vez. Mas dessa vez, o choro era agridoce. Mais uma mistura, como tantas que eu coleciono.
Passei mais um tempo recordando tantos momentos . Palavras, beijos, olhares. A cumplicidade, o cuidado , o desejo. Como duvidar de algo assim? Será que alguém pode ser tão leviano a ponto de estragar isso? Essa pessoa não seria eu.
Deixei de bobagem, voltei pra casa, liguei pra ele. Ignorando a chuva de palavras e mal-agouros da minha mãe, liguei. Ouvi a voz que tanto precisava ouvir.
Devo estar enlouquecendo. Deve ser a abstinência. Porque paixão é meio droga, né?
Lá vem minha mãe de novo. "onde vc vai ficar?" "vc mal conhece esse rapaz" "e se depois da viagem vcs decidirem que não tá dando certo?"
"Ah, Magali! Relaxa. No ruim de tudo eu terei a amado por uns meses, feliz como nunca e ainda conhecido CÚiabá."
Consegui! Ela foi dormir, ainda murmurando , mas eu já não podia ouvir o que ela falava. E eu, com sorriso nos lábios, fiquei relembrando meu "1 mês lunar".

segunda-feira, 14 de março de 2011

aumenta o som que eu amo essa música...

Mais uma vez o mundo girou rápido demais, parece que eu nem vi.
No fundo da cena Chico manda eu não me afobar que nada é pra já. Meu caro ídolo, eu ja abri mão da afobação faz tempo, o pra já não é pra mim, dessa vez foi a vida quem se afobou. Tá passando depressa, no afã de chegar lá. Mas lá é aonde?
"O amor não tem pressa, ele pode esperar..." que lorota da boa meu ídolo maior. O amor tem pressa sim! Amor vive na urgência! Ele não espera pra acontecer, tão pouco quer esperar pra ser amado.
O tempo se afoba, o amor se afoba, a vida idem, mas eu tenho de esperar.
Tô nem aí para o que os escafrandristas farão. Definitivamente , essa não é a sua melhor canção , meu caro ídolo.
Não se nega afobação a um suburbano coração (misturar letras parece coisa do meu amor, que tem um jeito manso que é só seu).Deixe que ele seja o que quiser : herói , rei , bedel.
No lugar atormentar essa dona , que ja não tem vergonha do seu coração, atormente o tempo. Fale pra ele não se afobar.
Enquanto estou aqui, preenchendo espaços vazios com essa conversa mole de colombina sem pierrot, o mundo gira outra vez. Girou rápido de novo, levou a carnaval e seus mascarados, em breve me levará outro feriado. E Chico ainda tem a audácia de me chamar de afobada?
Como posso ser afobada se meu coração ainda está na quarta de cinzas, enquanto a vida já pensa em terminar a quaresma?
Então, meu amado poeta, acho que preciso me afobar um pouco. Senão, o tempo passa na janela e ficarei igual Carolina.

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

" eu bebo um pouquinho pra ter argumento..."


Incrível como palavras soltas podem ter total sentido, assim como um monte de frases conexas podem não ter sentido algum.
As vezes me sinto um pouco assim... um pouco de mim tem tanto significado, mas parece que todo o restante é um total bagunça de emoções.
Sempre desejei amar, mas a covardia me impedia de viver algo além de paixões suferciais.
E no momento mais inesperado, no momento menos propício... me descuidei.
Mergulhei de cabeça em uma piscina rasa.
Parece que aquilo que há tanto eu espereva chegou e, doce ironia, já está com data pra partir.
Será que o derradeiro também será breve e passageiro?(ô paradoxo)
Sinto que algo mudou em mim de tal forma que nada mais será igual. Nenhum gesto, sonho, atitude minha, nada mais reflete aquela que antes habitava em mim. Vejo o mundo com cores antes desconhecida, e foi essa paixão quem pintou o mundo com aquarela...
A cada sorriso, a cada beijo, a cada toque algo muda em mim.Já não me reconheço mais no que eu era e , por mais que eu tente, não há como voltar.
Não se pode voltar pra preto e branco depois de ter pintado tudo com aquarela.
Mas , ainda tem algumas partes que não estão pintadas e a vida insiste em tirar meu pincel.
Não estava preparada pra viver isso, mas ninguém estará.
Assim como não estou preparada pra me separar. A aflição se torna maior a cada dia, "um dia a menos". Há momentos que eu peço ao tempo pra ir mais devagar, dando passos pra trás até. Mas a vontade de encontrar aquele sorriso faz com que eu suplique à vida pra que corra para que eu possa correr pra ele.
E agora , só naquele abraço eu me sinto em paz.
Não parece justo que a vida nos separe, não assim, de forma tão prematura...
Peço ao tempo que me dê mais tempo, digo que vou sofrer por ele correr demais. Ele ri de mim, diz que vai me ajudar a curar as feridas...

quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

"o que será, o que será?"

É doce, é terno. Tem cheiro de primavera.
É como estar em casa, tem jeito de paz.
Mas também é quente, febril.
Intenso, como dia de verão.
Turbilhão de emoções, sensações.
O tato, o olfato , o paladar... os sentidos explorando cada reação, cada nuance.
A delicadeza das palavras aliada a força precisa dos atos.
É viver a incerteza , a insegurança, o medo na sua forma mais natural...
Temer a cada momento que o momento passe.
É desejar viver cada detalhe sem permitir espaço pro medo.
É encontrar em outra boca o sabor que a boca tanto anseia.
Enxergar naqueles olhos a ternura que há muito havia se perdido

A cada dia descobrir um novo tom, um novo som, um novo amor.

É liberdade que prende.

Tornar-se cativo por opção.

Estar vivo, na sua plenitude.

É ser, querer... é ter.

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

bom dia.

7:00 am, telefone toca. Na hora ela pensa "preciso mudar esse toque infernal".
Já estava pronta pra destilar todo seu ódio matinal no pobre interlocutor que teve a infeliz idéia de lhe acordar, até que, antes mesmo que pudesse abrir os olhos, ela ouve "Bom dia, flor do dia".
No seu estado normal, isso seria o suficiente para que mandasse um "VTNC" (Ah, vai dizer que não entendeu??? joga no google e não se ofende!!), mas ela não o fez. Em meio ao seu transe matinal, algo naquela voz que a saudava fez com que seus estômago estremecesse. Sentiu um arrepio da nuca ao cóccix, todo seu quarto pareceu se iluminar : era ele!!
Cada milímetro do seu corpo pareceu acordar com uma descarga elétrica, era ele!!
Torcendo o pâncreas para emitir a voz mais suave de todas, ela retribuiu a saudação. Como ela podia ficar assim? Como podia um simples bom dia acabar com seu mau humor já tão conhecido?
Como podia permitir que alguém exercesse tal poder sobre ela, sobre seu sono. Porque sim, ele interferia no seu sono. Ela dormia melhor nos braços dele, sonhava com ele, perdia o sono imaginando a iminente separação. Ela odiava isso, odiava precisar dele.
"Então, só liguei pra te desejar um bom dia". Nossa, como ela adorava esse lado dele. Adorava a atenção dele. Ela o adorava. "Beijo, mais tarde a gente se fala". Beijo, beijos e mais beijos.
Ela o queria ali, naquele momento, pra cobri-lo de beijos. Quem pensaria em trabalhar diante daquele sorriso dele? Aquele sorriso arrancava qualquer coisa dela. O toque dele a eletrizava.
Ela ria das piadas dele, embora algumas fossem péssimas. Ouvia tudo que ele falava, embora tentasse fingir que ele era entediante (ele era ótimo demais, mas não precisava saber disso o tempo todo), claro que ela falhava sempre -Fale mais, meu bem. me encha com seus pensamentos, me dê uma overdose de você- Como ela era boba. Agora, já no banho, sorria feito criança lembrando de como é acordar com a voz dele- melhor ainda é acordar com beijos dele- Tão piegas que ela sentia vergonha de si. Bah! Já se envergonhara por coisas piores.
E afinal, ser piegas nem é tão ruim assim, os sentimetalóides hoje em dia vão vanguarda ! Ria-se sozinha. Ela idolatrava aquele ser.
Hora do almoço e o telefone toca novamente. Tudo acontece novamente: descarga elétrica, arrepio, frio no estômago. Efeito ELE!
O riso contido no meio de expediente tem motivo : ELE!
Era tudo culpa dele. Sabe que não pode continuar assim. Não quando se chega no estágio que ela chegou, não se pode deixar envolver por alguém a tal ponto. Então decide que vai mudar isso, nunca idolatrara ninguém, não vai ser agora que vai se permitir.
Hora de dormir, decidida a pôr suas ideias no eixos, ela se deita . O telefone toca: "Boa noite, te adoro, tá?" Mais uma vez o plano falha "também te adoro", ela dorme e sonha com ele.

sábado, 5 de fevereiro de 2011

"menininha do portão"

Sentada no portão, a menina de cabelos revoltos vê a vida passar.
Eu já fui aquela menina de cabelos revoltos, já sentei e observei, assim como ela. Os olhos, que em certas noites beiram a loucura , outrora eram doces como os delas. Já sonhei como ela.
Hoje não. Hoje meus cabelos estão domados, meu olhar é alerta , vivo no lugar de assitir a vida.
Mas sinto falta da leveza que era ter cabelos revoltos. O coração não exibia feridas, era 0km. Sinto que nunca mais vou sorrir tão verdadeiramente quanto quando eu tinha cabelos revoltos.
O futuro já chegou e ele não é nada do que eu imaginava, quando me dei conta disso abri mão de planos. Expectativas são o caminho mais rápido para as decepções. Mas ela não, sentada no portão, ela planeja a vida toda que está por vir. Sonha com carreiras, amigos , amores. Ela sabe que pode ganhar o mundo. Eu também podia ganhar o mundo. Onde foi que isso se perdeu?
Ela não teme o depois. Por um momento sinto que devo alerta-la." -Cuidado, não vai ser como eles dizem". E ela vai rir de mim. Eu também riria.Como pode , com aqueles cabelos beijados pelo Sol, como pode ser possível que não ganhe o mundo?
Ela continua sentada, brinca com o dia, faz careta pro tempo. O tempo parece gostar dela. E me pergunto se um dia ele já gostou de mim. Sim! ele gostou, sim. Houve um tempo em que éramos grandes amigos. Ele passava devagar, desfruta da minha companhia.
Pensando bem, acho que até pensava que ele era lento demais.Queria chegar lá na frente, queria chegar logo. Como se eu descesse uma ladeira de bicicleta e, no lugar de desfrutar , pedalasse pra ir cada vez mais rápido. Essa menina não. Ela levanta os pés no ar. Ela abre os braços. Sente o vento na cara, fecha os olhos e imagina voar.
A diferença entre nós duas tá aí, em como andamos de bicicleta. Começo a pensar que ao invés de alerta-la do que vem pela frente, devia para e ver a vida com ela. Deixar o vento bagunçar meu cabelo. Parar de me preocupar com o depois. Posso começar fazendo planos a curto prazo. E se ele falharam, faço igual a ela: me machuco, choro, depois volto a brincar.
Lá está ela, sentada no portão , nem imagina a batalha interior que enfrento nesso momento por causa dela. Se soubesse, aposto que ela iria rir. É isso que as meninas de cabelos revoltos fazem, elas riem de nós que domamos nossos cabelos.
Nesse momento tiro o salto, sento ao lado dela. Em silêncio ela me sorri. Passados alguns momentos , não resisto e pergunto : "o que vc tá pensando?" E ela responde:"O vento também bagunçou seu cabelo, igual ao meu".
Dei a risada mais verdadeira dos últimos tempos, e agradeci ao vento.Naquele momento eu também era uma menina de cabelos revoltos.

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

" eu sei que é pra sempre enquanto durar..."

A oferta não é das melhores. O tempo é o maior inimigo. Tempo é que não se pode oferecer.
A pergunta que não quer calar: "vc tá pronta pra quando a hora chegar?" Não. Não tô pronta pra me separar, assim como não estava pronta pra essa história.
Mas embarquei nessa. Ignorando todos os meus instintos, me deixei envolver. O alerta de perigo disparou, mas meu peito também. Os amigos cautelosos (sabem o que está por vir) dizem cuidado, os mais passionais (sabem quão boas são essas coisas) dizem: "Vive isso"!
Desisti de pensar, ponderar, questionar. Vou tratando de eternizar cada segundo. Desfrutando ao máximo do que tenho agora.
Depois me viro. Porque nada será assim. Não se vive algo assim duas vezes.
Pode até não dar em nada, mas pra que querer chegar a algum lugar se já está bom onde estamos?
E quando a hora chegar, ainda não vou estar pronta, mas terei a certeza de ter vivido uma das melhores coisas da minha vida. E de alguma forma , isso não vai acabar.

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

é...pois é.

Tudo ia bem.Trabalho, família , amigos. A vida, em geral, tava boa.
Eu estava na minha zona de conforto. O coração sereno.Decidida a me amar, deixar de lado as confusões do coração.
O plano fluía perfeitamente.Mas , já dizia o narrador do Josefh Klimber, "a vida é uma caixinha de surpresas".Eu não esperava nada daquela noite, o plano era o de sempre: beber, dançar, rir.
Mas eis que surge um sorriso no meio do caminho. Ah! aquele sorriso!
Será possível alguém sorrir com alma?
No momento em que me sorriu, fui arrebatada. Sabia que era caminho sem volta.
E de repente éramos mãos que ocasionalmente se tocavam. Isolados de todos , envoltos numa áura só nossa. Passaram minutos ou horas?
A noite era só nossa. Todo resto era o resto. Nada mais me importava, não existia mais ninguém além do dono daquele sorriso.
E foi então que me dei conta de que o plano mudara. Já não mais me pertencia. Meus pensamentos, desejos, anseios, eram todos voltados pra ele. A idéia fixa de desapego foi embora, dando lugar a mais genuína ternura.
Me tornei refém daquele sorriso. E desde então , passei a sorrir com a alma.