"isso é loucura! Cadê aquela menina centrada que eu criei? Desde quando vc é tão irresponsável?"
Foi assim que minha mãe me recebeu , após o trabalho, no dia em que contei que comprei as minhas passagens.
Não. Eu não tô saindo de casa para morar em outro país. Também não são as passagens par assistir o U2 na Argentina (embora o Grupon tenha me deixado tentada a comprar). Tampouco a minha tão sonhada passagem da minha eurotrip.
São só passagens de ida e volta pra cidade dele. Que não é dele, mas é onde ele está.
Confesso que não esperava essa reação dela. Reclamar já o natural dela. Ela reclama de tudo.
O que mexeu comigo foi a ferocidade com a qual ela despejava as palavras.
Há tempos que ela não tinha impacto sobre mim.
Pela primeira vez, em tempos, ela me fez ponderar meu atos. Refleti . E fui tomada por uma insegurança sem prescedentes. Medo de estar me empenhando em algo que não resistirá ao outono. Estar investido em uma relação que nunca passará de amor de verão.
Tantos pensamentos me sufocaram. Corri em busca de ar. Saí sem direção, não tinha a quem buscar naquele momento. Os únicos braços que me dariam conforto estavam londe demais.
Já fora de alcance. Pude chorar em paz. Chorei toda aminha saudade, toda a minha angústia, toda minha insegurança. Dediquei longos minutos pensando as maiores atrocidades que minha insegurança feminina exigia. Duvidei. Odei. Espraguejei pro mundo. Acalmei.
Pude, enfim, olhar a lua. E lembrei da última vez que a vi tão bela. Ele me dizia "1 mês lunar", mas eu ouvi " há um mês que te tenho".Lembrei de 2 meses atrás. Da noite perfeita. com a lua nos olhando pela janela.
Lembrei de olhos que me pediam pra ficar até de manhã. Do medo que dava espaço a intimidade. De um novo temor que nascia, a sensação, doída e gostosa, de não querer perder nada.
Lembrei de como todos os astros deixaram de ser apenas astros. De como tudo deixou de apenas ser e ganhou um novo sentido.
Já estava chorando outra vez. Mas dessa vez, o choro era agridoce. Mais uma mistura, como tantas que eu coleciono.
Passei mais um tempo recordando tantos momentos . Palavras, beijos, olhares. A cumplicidade, o cuidado , o desejo. Como duvidar de algo assim? Será que alguém pode ser tão leviano a ponto de estragar isso? Essa pessoa não seria eu.
Deixei de bobagem, voltei pra casa, liguei pra ele. Ignorando a chuva de palavras e mal-agouros da minha mãe, liguei. Ouvi a voz que tanto precisava ouvir.
Devo estar enlouquecendo. Deve ser a abstinência. Porque paixão é meio droga, né?
Lá vem minha mãe de novo. "onde vc vai ficar?" "vc mal conhece esse rapaz" "e se depois da viagem vcs decidirem que não tá dando certo?"
"Ah, Magali! Relaxa. No ruim de tudo eu terei a amado por uns meses, feliz como nunca e ainda conhecido CÚiabá."
Consegui! Ela foi dormir, ainda murmurando , mas eu já não podia ouvir o que ela falava. E eu, com sorriso nos lábios, fiquei relembrando meu "1 mês lunar".
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