terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

bom dia.

7:00 am, telefone toca. Na hora ela pensa "preciso mudar esse toque infernal".
Já estava pronta pra destilar todo seu ódio matinal no pobre interlocutor que teve a infeliz idéia de lhe acordar, até que, antes mesmo que pudesse abrir os olhos, ela ouve "Bom dia, flor do dia".
No seu estado normal, isso seria o suficiente para que mandasse um "VTNC" (Ah, vai dizer que não entendeu??? joga no google e não se ofende!!), mas ela não o fez. Em meio ao seu transe matinal, algo naquela voz que a saudava fez com que seus estômago estremecesse. Sentiu um arrepio da nuca ao cóccix, todo seu quarto pareceu se iluminar : era ele!!
Cada milímetro do seu corpo pareceu acordar com uma descarga elétrica, era ele!!
Torcendo o pâncreas para emitir a voz mais suave de todas, ela retribuiu a saudação. Como ela podia ficar assim? Como podia um simples bom dia acabar com seu mau humor já tão conhecido?
Como podia permitir que alguém exercesse tal poder sobre ela, sobre seu sono. Porque sim, ele interferia no seu sono. Ela dormia melhor nos braços dele, sonhava com ele, perdia o sono imaginando a iminente separação. Ela odiava isso, odiava precisar dele.
"Então, só liguei pra te desejar um bom dia". Nossa, como ela adorava esse lado dele. Adorava a atenção dele. Ela o adorava. "Beijo, mais tarde a gente se fala". Beijo, beijos e mais beijos.
Ela o queria ali, naquele momento, pra cobri-lo de beijos. Quem pensaria em trabalhar diante daquele sorriso dele? Aquele sorriso arrancava qualquer coisa dela. O toque dele a eletrizava.
Ela ria das piadas dele, embora algumas fossem péssimas. Ouvia tudo que ele falava, embora tentasse fingir que ele era entediante (ele era ótimo demais, mas não precisava saber disso o tempo todo), claro que ela falhava sempre -Fale mais, meu bem. me encha com seus pensamentos, me dê uma overdose de você- Como ela era boba. Agora, já no banho, sorria feito criança lembrando de como é acordar com a voz dele- melhor ainda é acordar com beijos dele- Tão piegas que ela sentia vergonha de si. Bah! Já se envergonhara por coisas piores.
E afinal, ser piegas nem é tão ruim assim, os sentimetalóides hoje em dia vão vanguarda ! Ria-se sozinha. Ela idolatrava aquele ser.
Hora do almoço e o telefone toca novamente. Tudo acontece novamente: descarga elétrica, arrepio, frio no estômago. Efeito ELE!
O riso contido no meio de expediente tem motivo : ELE!
Era tudo culpa dele. Sabe que não pode continuar assim. Não quando se chega no estágio que ela chegou, não se pode deixar envolver por alguém a tal ponto. Então decide que vai mudar isso, nunca idolatrara ninguém, não vai ser agora que vai se permitir.
Hora de dormir, decidida a pôr suas ideias no eixos, ela se deita . O telefone toca: "Boa noite, te adoro, tá?" Mais uma vez o plano falha "também te adoro", ela dorme e sonha com ele.

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